Entenda como ocorre a transmissão, quais são os sinais e quando procurar avaliação veterinária
Nos últimos anos, o aumento de casos em felinos tornou a esporotricose uma condição de relevância clínica crescente. Além de comprometer a saúde dos animais, a doença exige atenção especial por se tratar de uma zoonose, com potencial risco à saúde humana quando não identificada e manejada adequadamente.
O que é esporotricose
Esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, principalmente Sporothrix brasiliensis no contexto brasileiro.
Historicamente conhecida como “doença do jardineiro”, por ser adquirida a partir de feridas traumáticas com solo ou vegetação contaminada, essa infecção vem sendo cada vez mais observada como doença transmitida entre animais — especialmente através de gatos.
Os gatos são a espécie mais acometida pela esporotricose, apresentando maior susceptibilidade à infecção e desempenhando papel relevante na transmissão da doença, especialmente por meio de arranhões, mordidas ou contato com secreções de lesões cutâneas.
Como acontece a transmissão
A transmissão ocorre principalmente por:
- contato direto com um animal infectado, via arranhões, mordidas ou contato com lesões e secreções;
- ambiente contaminado (solo, vegetação) quando há feridas na pele;
- contato próximo entre gatos com acesso a rua ou feridas abertas.
Embora cães possam ser acometidos, os casos em felinos são mais frequentes e epidemiologicamente mais relevantes.
Sinais clínicos em cães e gatos
Os sinais da esporotricose variam conforme a forma clínica, mas, especialmente em gatos, as manifestações podem ser progressivas:
- Lesões cutâneas que não cicatrizam, frequentemente arroxeada ou com secreção;
- Nódulos avermelhados ou feridas que se espalham pelo corpo;
- Acometimento em regiões como face, nasal, cauda e patas;
- Em fases avançadas, pode haver sinais sistêmicos (anorexia, apatia) em gatos.
Nos cães, a forma cutânea também é mais comum, mas a doença tende a ser menos frequente do que em felinos.
Diagnóstico veterinário
O diagnóstico da esporotricose é clínico e laboratorial. A avaliação inclui:
- exame físico detalhado, especialmente de lesões cutâneas;
- exames laboratoriais, como cultura do fungo, citologia ou histopatologia;
- em alguns casos, exames complementares para excluir outras infecções ou condições concomitantes.
A identificação precisa do agente (por exemplo, S. brasiliensis) pode ajudar no manejo clínico, mas a conduta sempre deve ser determinada por um médico-veterinário, considerando o quadro global do animal.
Tratamento e manejo clínico
O tratamento da esporotricose em animais envolve o uso de antifúngicos sob orientação veterinária. O medicamento mais utilizado e com melhor resposta clínica é o itraconazol, ajustado individualmente conforme o paciente.
Outras opções terapêuticas podem ser consideradas em casos específicos ou quando há resistência ao tratamento, como:
- cetoconazol ou outros antifúngicos de acordo com resposta clínica;
- em situações mais complexas, terapias combinadas podem ser avaliadas.
O acompanhamento clínico rigoroso é essencial, pois o tratamento pode ser prolongado, exigindo monitoramento da resposta e ajustes de dose.
Zoonose: riscos à saúde humana
Uma característica importante da esporotricose é a sua capacidade de ser transmitida entre animais e seres humanos.
O contato com lesões de pets infectados, especialmente gatos, pode levar à infecção cutânea em pessoas, principalmente nas mãos e braços, se não houver proteção adequada. Por essa razão, é fundamental que tutores e profissionais tomem precauções ao lidar com animais suspeitos ou diagnosticados.
Prevenção e cuidados práticos
Prevenir a esporotricose envolve:
- evitar que gatos tenham acesso irrestrito à rua;
- supervisionar brigas ou contatos entre animais;
- manejo rápido de feridas e arranhões;
- higiene criteriosa ao lidar com animais com lesões;
- buscar avaliação veterinária diante de qualquer lesão que não cicatrize.
A educação do tutor e o acompanhamento veterinário regular são essenciais para reduzir exposições de risco.
Importância da avaliação veterinária especializada
Devido à complexidade da esporotricose, especialmente em gatos, que apresentam maior susceptibilidade, carga fúngica elevada e potencial de transmissão, a avaliação médico-veterinária especializada é indispensável. O manejo adequado exige conhecimento específico da fisiologia felina, da evolução clínica da doença e dos cuidados necessários para reduzir riscos ao animal e às pessoas que convivem com ele.
Um exame clínico detalhado, associado a exames laboratoriais quando indicados, é fundamental para definir o diagnóstico correto e orientar o plano terapêutico mais seguro para cada caso.
